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terça-feira, 21 de abril de 2026

Aprendemos a trabalhar desde cedo

 


“Temos que trabalhar para termos as coisas”, sempre ouvimos isso de nosso pai, Antenor de Aguiar Marinho. Seu Atenor, como era conhecido, era agricultor, homem da roça, trabalhador de mão cheia. Sua diária é trocada por duas ou três de outros trabalhadores, no regime de troca de mão de obra, cultura da zona rural.  Nos fala com orgulho que aos 12 anos já possuía um cavalo baixeiro e selado, fruto de seu trabalho no campo. Dessa forma, eu e meus irmãos Francisco, Quitéria, Pedro (in memória), Esíquio e Cristina crescemos tendo essa referência de trabalho digno e honesto.

 

Minha mãe, professora Mariné Vieira, sempre foi um exemplo de mulher guerreira, de luta por direitos individuais e coletivas, seu lema sempre foi: LUTAR, EXIGIR E CONQUISTAR. Teve uma presença marcante na luta pela educação no município e no Estado de Alagoas. Sempre nos orientou acerca da importância do estudo, pois a educação nos emancipa, nos liberta. Assim me fiz crescer, casar com minha amada Sonia, temos dois lindos filhos ( Gabriel e Mateus) trabalhando, estudando e também lutando por direitos individuais e coletivos.

 

O fato de estar sempre cobrando políticas públicas de qualidade e igualitárias dos gestores, sempre fui visto como o cara do contra, o “cara preta”. Na terra de Zumbi, o normal ou o mais comum, não é lutar por concurso público, mas ficar bajulando e puxando saco de político a fim de conquistar um contrato de trabalho e viver escravizado por toda a vida ou até durar o mandato do capitão do mato camuflado de gestor. Já tivemos muitos desse tipo.

 

Portanto, não me arrependo de ter ouvido os conselhos de meus pais, pois o trabalho e a educação dignificam o homem. A partir dos 12 anos tive minha primeiras experiencias de trabalho: Vendi picolé, peguei carrego na feira, fui jardineiro, vendedor de leite inatura a granel porta a porta, auxiliar de cozinha, limpei casa, fui garçom no bar da casa velha, auxiliar de biblioteca da ETFAL, atualmente ainda sou professor na ativa e há quatro anos Deus me convidou e eu aceitei ser catequista em minha Igreja Católica Apostólica Romana. Só benção!

Gratidão a todos os meus professores e minha família.

Obrigado Deus!