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domingo, 26 de abril de 2026

O trem que transportava e dividia as "classes sociais" em União dos Palmares

Lembranças do Passado...




Durante décadas aqui no Brasil, muita gente viajou de trem pela extinta Rede Ferroviária Federal Sociedade Anônima (RFFSA).

Aqui em União dos Palmares, o principal trecho da linha férrea ligava a capital alagoana à pernambucana; necessário ao intercambio interestadual, de estudantes e principalmente de comerciantes; pois estes procuravam as capitais para encontrara as mercadorias mais baratas e que podiam repassar aos consumidores locais com um preço melhor, preservando um lucro substancial.

Entretanto a chegada do trem na nossa estação era motivo de festa e confraternização entre as pessoas. Muitos chegavam e muitos partiam sem saber se voltariam a rever a sua terra natal. Nestes casos era grande a comoção dos familiares e amigos, porque muitas pessoas sabiam que estava vendo o seu ente querido pela última vez.

Na minha infância, viajei muitas vezes a Maceió, na companhia dos meus pais, que eram comerciantes, para adquirir mercadorias, comprarem roupas, sapatos para o uso pessoal e utensílios domésticos, no comércio da nossa capital.

Mas me recordo com saudade das viagens que fiz neste meio de transporte, porque naquela época, só havia estrada afastada, para quem morava em União e queria ir até Maceió, só a partir de Messias, na BR 101; o que tornava a nossa viagem de carro, uma grande aventura; porque tínhamos que pegar um trecho de estrada carroçável de péssima qualidade; principalmente no inverno.
Todavia a nossa viagem começava em União, onde esperávamos o trem vindo de Recife.

Antes disso, as pessoas esperavam o trem na estação, acomodados na sala de espera e até no pátio, pois este momento servia para colocar a conversa em dia; pois os passageiros eram na maioria das vezes os mesmos.

As passagens eram compradas na própria estação e o ticket era um cartão grosso de forma retangular para os adultos e para as crianças, como no meu caso; pagava-se meia passagem, o que no bilhete, diferenciava-se por causa do corte em diagonal.

A composição era formada por uma locomotiva, um ou dois vagões de carga e uns dez vagões de passageiros. Havia a primeira e a segunda classe. Na primeira classe, as poltronas eram acolchoadas, individual; lembro-me que era de cor azul e reclinável, para o conforto do usuário, pois a viagem demorava cerca de 3 horas. Na segunda classe a poltrona era feita de madeira, onde em uma única poltrona viajavam dois passageiros e sem o conforto da primeira classe. As janelas eram duplas. Na primeira parte o passageiro poderia fechar só a janela de vidro, para apreciar a paisagem da zona da mata alagoana, compreendida pelos os imensos canaviais e pelas as culturas de subsistência como mandioca, milho e feijão. A outra opção seria fechar além da janela de vidro a de madeira; para escurecer o ambiente, necessário para quem queria tirar um cochilo. Na primeira classe, os passageiros tinham a opção de comprar lanches, composto por refrigerantes, cafés, sanduiches e bolos; servidos pelos funcionários da ferrovia.

A saída de União se dava, com o toque no sino da estação e posteriormente com dois apitos agudos, dado pelo guarda ferroviárioque acompanhavam a composição. Logo após a partida havia a supervisão das passagens, feita pela equipe de cobradores, que viajavam, conferindo ou vendendo os tickets aos passageiros que porventura não tivesse comprado no guichê da estação. A conferência era feita com a perfuração das passagens, por uma espécie de alicate que os funcionários carregavam nos bolsos do seu fardamento de cor azul.

Ao longo do trajeto, havia as paradas nas estações de cada povoado e cidade por onde passava o nosso trem. Depois de União, a composição não parava; mas diminuía a velocidade na Usina Laginha, para que as pessoas pudessem embarcarno trem em movimento, coisa inconcebível para os dias de hoje; por causa da segurança. As próximas paradas eram nas cidades de Branquinha, no povoado Nincho, Murici, povoado Itamaracá, povoado Lourênço de Alburquerque, Rio Largo, Satuba, Bebedouro e finalmente Maceió.

O retorno a nossa cidade se dava por volta das 17 horas da estação de Maceió e com a chegada prevista para as 20 horas.

A viagem era um acontecimento prazeroso e ao mesmo tempo uma necessidade da época; onde os meios de transporte e principalmente as estradas asfaltados eram coisa de cidades e estados mais desenvolvidos.

Por Joaquim Maria

terça-feira, 21 de abril de 2026

Aprendemos a trabalhar na infância

 


“Temos que trabalhar para termos as coisas”, sempre ouvimos isso de nosso pai, Antenor de Aguiar Marinho. Seu Atenor, como era conhecido, era agricultor, homem da roça, trabalhador de mão cheia. Seu dia de serviço era  trocado por dois  ou três de outros trabalhadores, no regime de troca de diárias, cultura da zona rural.  Nos falava com orgulho que aos 12 anos já possuía um cavalo baixeiro e selado, fruto de seu trabalho no campo. Dessa forma, eu e meus irmãos Francisco, Quitéria, Pedro (in memória), Esíquio e Cristina crescemos tendo essa referência de trabalho digno e honesto.

 

Minha mãe, professora Mariné Vieira, sempre foi um exemplo de mulher guerreira, de luta por direitos individuais e coletivas, seu lema sempre foi: LUTAR, EXIGIR E CONQUISTAR. Teve uma presença marcante na luta pela educação no município e no Estado de Alagoas. Sempre nos orientou acerca da importância do estudo, pois a educação nos emancipa, nos liberta. Assim me fiz crescer, casar com minha amada Sonia, temos dois lindos filhos ( Gabriel e Mateus) trabalhando, estudando e também lutando por direitos individuais e coletivos.

 

O fato de estar sempre cobrando políticas públicas de qualidade e igualitárias dos gestores, sempre fui visto como o cara do contra, o “cara preta”. Na terra de Zumbi, o normal ou o mais comum, não é lutar por concurso público, mas ficar bajulando e puxando saco de político a fim de conquistar um contrato de trabalho e viver escravizado por toda a vida ou até durar o mandato do capitão do mato camuflado de gestor. Já tivemos muitos desse tipo.

 

Portanto, não me arrependo de ter ouvido os conselhos de meus pais, pois o trabalho e a educação dignificam o homem. A partir dos 12 anos tive minha primeiras experiencias de trabalho: Vendi picolé, peguei carrego na feira, fui jardineiro, vendedor de leite inatura a granel porta a porta, auxiliar de cozinha, limpei casa, fui garçom no bar da casa velha, auxiliar de biblioteca da ETFAL, atualmente ainda sou professor na ativa e há quatro anos Deus me convidou e eu aceitei ser catequista em minha Igreja Católica Apostólica Romana. Só benção!

Gratidão a todos os meus professores e minha família.

Obrigado Deus!


terça-feira, 14 de abril de 2026

Prefeitura de União recebe recursos a fim de pavimentar estradas vicinais

 PORTAL DA TRANSPARÊNCIA

Foto: BR 104

A Prefeitura de União dos Palmares- AL, recebeu do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em março/2026 o valor de   382.471,20 referente a uma parcela do convênio 44873/2023 que tem um total de  1.912.356,00.

O objetivo do recurso prevê a pavimentação e manutenção em estradas vicinais no município de União dos Palmares/AL.

 

Órgão Superior: Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional

Convenente: MUNICIPIO DE UNIAO DOS PALMARES

Valor Total: 1.912.356,00

Data da Última Liberação: 11/03/2026

Valor da Última Liberação: 382.471,20

 

Fonte: Equipe do Portal da Transparência - CGU

http://www.portaldatransparencia.gov.br

 


MINISTÉRIO DA CULTURA ENVIOU 100 MIL REAIS PARA ASSOCIACAO ADAPO DA COMUNIDADE MUQUEM EM JAN/2026

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA
Foto: Instagran ADAPO

A Associação ADAPO da comunidade Muquém de União dos Palmares, recebeu do ministério da cultura o valor de cem mil reais, através do convênio número: 062423/2025
O objetivo do recurso se deve a realização do evento cultural denominado: Concurso Beleza Negra do Quilombo Muquém 2026, na Comunidade Quilombola Muquém, em Uniao dos Palmares, Estado de Alagoas, voltado a promoção da Diversidade Cultural Brasileira, com foco na valorização da identidade afro-brasileira, da estética negra e do fortalecimento da autoestima e do protagonismo da juventude quilombola.

 

Órgão Superior: Ministério da Cultura

Convenente: ASSOCIACAO ADAPO DA COM MUQUEM DE REMANESCENTES QUILOMBOLAS DE U DOS PALMARES - AL

Valor Total: 100.000,00

Data da Última Liberação: 28/01/2026

Valor da Última Liberação: 100.000,00

Fonte: Equipe do Portal da Transparência - CGU

http://www.portaldatransparencia.gov.br

 


 

quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

A criação da Paróquia de Santa Maria Madalena – União dos Palmares

 

Foto: Arquivo Maria Mariá

Arquivos registros legislativos

No século XVIII a Vila da Imperatriz foi instalada, mas eclesiasticamente continuou ligada a Vila de Atalaia, isso causava incômodo, pois enquanto não existisse paróquia no local, os eleitores da vila continuariam votando na freguesia de Nossa Senhora das Brotas em Atalaia. Foi assim que em dezembro de 1831, na sessão do Conselho Geral da Província tratou pela 1ª vez da criação de freguesias nos termos de Atalaia.

Após quatro anos, em 1835, ano de eleição para deputados nas províncias, voltou à discussão da criação da freguesia a fim de facilitar a vida dos eleitores, pois com a criação das vilas cada um votaria em suas respectivas freguesias.

Assim, em três de abril de 1835, o projeto foi aprovado e remetido ao presidente da província de Alagoas, José Joaquim Marchado de Oliveira que, no dia 10 de março de 1835 sancionou a resolução de Número 8, criando então Freguesia a Capela de Santa Maria Madalena na Vila de Imperatriz.

As terras de patrimônio da paróquia de Santa Maria Madalena, onde hoje está erguida a igreja matriz e parte do território do município de União dos Palmares, foram conquistadas mediante a doação do casal João Camelo de Amorim e Francisca Correia de Araújo em 03 de abril de 1810, que objetivava construir a capela e a futura Vila.

No dia 14.06.2010 foi sancionada a Lei Municipal nº 1182 que inseriu no calendário municipal o dia 22 de Julho como feriado municipal dedicado a Santa Maria Madalena e em julho de 2016 o Papa Francisco elevou a celebração de Santa Maria Madalena no dia 22 de julho à categoria de festa litúrgica.

Fonte
SARMENTO, Genisete de Lucena. A Ocupação das Terras do Quilombo dos Palmares e a Criação de Vilas: Introdução à História de União dos Palmares. 1ª ed. Maceió: CBA Editora, 2019.

@registroslegislativos /Bruno Monteiro

 

 


sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

PORTAL DA TRANSPARÊNCIA: PREFEITURA DE UNIÃO RECEBEU UM MILHÃO E MEIO PARA O FESTIVAL DA NEGRITUDE EM DEZ/2025

 



Número Convênio: 037972/2025

Objeto: Festival da Negritude 2025 - 1a Edição

Órgão Superior: Ministério do Turismo

Convenente: MUNICIPIO DE UNIAO DOS PALMARES

Valor Total: 1.506.980,00

Data da Última Liberação: 15/12/2025

Valor da Última Liberação: 1.506.980,00


Leia também: PORTAL DA TRANSPARÊNCIA: União dos Palmares recebeu um milhão e meio para pavimentação da Serra da Barriga já pavimentada.