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segunda-feira, 23 de setembro de 2024

Não xinguem a menina, ela não tem culpa.

Sergio Rogério    Foto: BR 104

Quem me conhece sabe que sou entusiasta e defensor da presença de uma jovem, negra, pobre, mulher ocupando um lugar de destaque na política, tanto é que apoiei (saibam ou lembrem) Marciângela em 2008 para prefeita de União dos Palmares e ela preenchia os mesmos pré-requisitos, mulher, negra, jovem, de família não política e nem por isso em 2008 houve o mesmo aplauso de quem aplaude Samires hoje, pelo fato daquela não ter sido indicada por um padrinho político. Não sou entusiasta dos motivos que, para mim, levaram a vice a este lugar.

 

A escolha, bem sabemos, fugiu a todas as expectativas. Da oposição à situação, de quem não está nem aí para eleições e de quem gosta de se envolver. Antes era Almir, trabalhou bem (marketing) para que o nome engajasse. Com a “queda” foi a oportunidade de ouro para Kil escalar alguém que não tivesse o traquejo político; qualquer vereador, qualquer secretário saberia o caminho para crescer e o atual prefeito precisa de alguém que fique ali, onde ele disser, pronta para continuar no mesmo lugar ou voltar para onde veio.

 

A câmara tentou e tentou, mas falta nela alguém a estilo de Bobo e Fabian que ameaçam e vão, foi assim em 2012. Inclusive Bobo até hoje não aceita Kil ter sido o sucessor de Zé Pedrosa, porque ele não era do grupo original. Sim, assim como Samires, Kil precisou de padrinhos, João Lyra a princípio. Sem padrinhos Areski até tentou, mas não se elegeu no final da década de 80, início dos anos 90 (não recordo bem, eu era criança).

 

Um fato interessante é que Junior será, caso ganhe, prefeito sem reeleição, porque sua possível  vitória já será uma reeleição, Kil fez o mesmo que Zé Pedrosa fez com ele quando era vice, viajou e ele assumiu por uma semana, caracterizando um mandato. Zé forrou a cama para voltar em 2012, mas faleceu e deixou o caminho para outro, tentou-se com Mano, mas segundo dizem, Kil atrapalhou e sabemos o porquê (caso seja verdade) para voltar em 2016, e voltou. Deu certo.

Assim, a escolha de Samires é uma jogada de mestre, aplaudamos o prefeito. Vamos aos motivos: quem criticar será tachado de racista, misógino, preconceituoso, mas ela não foi escolhida por esses predicativos de ser mulher, negra, jovem, de família humilde, ela foi escolhida porque não atrapalhará o retorno de Kil à prefeitura em 2028 caso não vire Secretário de Educação como setores da imprensa divulgaram e/ou posteriormente Deputado, já conhecemos esse caminho. E ele ganhando o caminho está aberto para quem sabe Gabriela e talvez, muito talvez Samires continue vice, Almir voltará com vontade, outros vereadores, idem; estão “trabalhando” para isso.

Finalizo dizendo que sou tendencioso a votar nesta coligação, mas o fato de votar, não quer dizer que não perceba e não aponte essa e outras manobras, posso votar neles também porque não voto em branco, nem nulo e municipalizo as eleições nacionais e nacionalizo as eleições municipais, não desperdiçaria meu voto apostando no bolsonarismo palmarino, e digo, não é por conta de Bruno Lopes, e sim por quem (alguns) que o rodeiam.

Portanto, acredito que Samires terá um futuro político, caso tenha a mesma “sorte” que Kil teve em 2008.

Prof. Sergio Rogério.

domingo, 22 de setembro de 2024

A Escravidão na Terra de Zumbi

Escravidão Moderna

União dos Palmares, terra da liberdade! Terra do herói negro Zumbi dos Palmares. Terra que deveria ser sinônimo e exemplo de luta e resistência aos desmandos dos senhores feudais, antigos e novos,  que de forma proposital, ainda tentam se perpetuar no poder em pleno século XXI, ainda convive com a escravidão quase total do seu povo.

O período de escravidão passou, mas parte da população não acordou para isso, vivem atrelados a quem detém o poder político e econômico; geralmente são pessoas que não têm disposição para o trabalho, que entraram numa “zona de conforto”, sendo subservientes, aos políticos assistencialistas, fazendo uso do puxa-saquismo como meio de vida e, portanto continuam sendo escravos da manutenção do poder.

Fazem parte do jogo, os contratos de trabalhos para o fortalecimento da base política. Isto é de conhecimento público. São centenas de contratos cedidos a parentes e amigos, quem está desempregado não vai recusar a oferta de emprego, é o mesmo que oferecer comida a quem está com fome, ou saúde a doente.  Assim toda família do contratado fica despojada de pudor e impregnada pelo sentimento de gratidão com o gestor e com quem o indicou. E para manter-se no cargo, necessariamente não poderá ir de encontro às posições política da gestão onde se encontra inserida. 

É perceptível a mudança de comportamento das pessoas que outrora era oposição e agora é governo. Diferente de quem é aprovado em concurso público, pois tem sua independência política, se não tem deveria ter,  não deve sua cabeça a ninguém, pode questionar e exigir melhorias. Assim, de forma indireta e inconsciente o povo tem sido escravizado politicamente e por que não dizer, em todos os sentidos.

Quem acredita na liberdade, proposta por Zumbi e na emancipação do povo ao modelo de gestão atual é sumariamente definido como oposicionista, comunista, e como tal é abominado pelo poder.

Uma coisa é certa, não temos mais Zumbi, mas temos seu exemplo de luta, coragem e determinação, que se vivo também estaria hoje lutando por concurso público, educação de qualidade, transporte gratuito para os estudantes, saúde, lazer, emprego e renda, além de transparência nos gastos do governo, no erário público.  

É hora de mudar essa história, precisamos ficar atento e cobrarmos  politicas públicas igualitárias para todos, sem distinção. E preciso escolher um candidato, mas se eleito não podemos fechar os olhos para os vícios e maus costumes e os "jeitinhos". Não se deixe escravizar! 
PENSE NISSO.

Professor Nivaldo Marinho.Com