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terça-feira, 27 de outubro de 2026

A origem do bairro Sagrada Família, o tradicional “Mutirão”, em União dos Palmares – AL

 

Primeiras casas construidas

A enchente de 1988: Uma tragédia que marcou a história

Em 1988, o município de União dos Palmares, em Alagoas, viveu uma das maiores catástrofes de sua história: a grande enchente do Rio Mundaú, que atingiu toda a região e deixou dezenas de famílias desabrigadas.

Diante da gravidade da situação, a população aguardou a assistência do poder público. Entretanto, sem o apoio necessário para reconstruir suas vidas, muitas famílias foram alojadas provisoriamente em escolas públicas e ginásios de esportes, onde permaneceram por um longo período, enfrentando condições precárias de moradia.

 

A presença dos padres canadenses e a mobilização da Igreja Católica

Após dois anos de sofrimento, as famílias desabrigadas continuavam enfrentando grandes dificuldades. Além do apoio de parentes e amigos, contavam com campanhas de arrecadação de alimentos promovidas pela Igreja Católica.

Foi nesse contexto que, em 1990, a Paróquia de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, com o apoio da Arquidiocese de Maceió e o empenho dos padres canadenses Padre Emílio April e Padre Donald Macgillivray, mobilizou-se para buscar uma solução para o problema da falta de moradia.

Sensibilizados pelos clamores das famílias que haviam perdido suas casas, os padres, juntamente com uma equipe de leigos formada por Mariné Vieira, Tereza Sampaio, Cleoniza, Irmã Lourdes e Teca, foram até a Secretaria de Estado da Agricultura. Na ocasião, solicitaram ao secretário a liberação de um terreno pertencente ao Estado, com o objetivo de construir casas populares para as famílias desabrigadas.

A iniciativa representou um importante passo na busca por condições dignas de moradia e na reconstrução da vida das pessoas atingidas pela enchente.

 

A construção das primeiras casas em regime de mutirão

Após a liberação do terreno, a Paróquia de Santa Maria Madalena encaminhou um projeto à Cáritas Brasileira, que foi aprovado, possibilitando a liberação de recursos para a construção inicial de 15 casas populares.

Os trabalhos foram organizados e coordenados por uma comissão, que reuniu as famílias beneficiadas para participar diretamente da construção de suas próprias moradias. Assim nasceu a experiência do trabalho em mutirão, na qual a união, a solidariedade e a colaboração de todos foram fundamentais para alcançar o objetivo comum.

Enquanto a comissão ficava responsável pela compra dos materiais de construção, homens e mulheres trabalhavam na fabricação dos tijolos do tipo bloco. Outros atuavam como pedreiros e serventes, contribuindo com sua força de trabalho para erguer as casas que se tornariam seus novos lares.

Mais do que construir paredes e telhados, aquelas famílias estavam reconstruindo suas vidas, fortalecendo os laços comunitários e recuperando a esperança de um futuro melhor.

Foi assim, por meio da solidariedade, da fé e do trabalho compartilhado, que surgiu o bairro conhecido como Mutirão, atualmente denominado bairro Sagrada Família, em União dos Palmares, Alagoas.

Fonte de pesquisa: Professora Mariné Vieira


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