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| Primeiras casas construidas |
A enchente de 1988: Uma
tragédia que marcou a história
Em 1988, o município de União
dos Palmares, em Alagoas, viveu uma das maiores catástrofes de sua história: a
grande enchente do Rio Mundaú, que atingiu toda a região e deixou dezenas de
famílias desabrigadas.
Diante da gravidade da
situação, a população aguardou a assistência do poder público. Entretanto, sem
o apoio necessário para reconstruir suas vidas, muitas famílias foram alojadas
provisoriamente em escolas públicas e ginásios de esportes, onde permaneceram
por um longo período, enfrentando condições precárias de moradia.
A presença dos padres
canadenses e a mobilização da Igreja Católica
Após dois anos de sofrimento,
as famílias desabrigadas continuavam enfrentando grandes dificuldades. Além do
apoio de parentes e amigos, contavam com campanhas de arrecadação de alimentos
promovidas pela Igreja Católica.
Foi nesse contexto que, em
1990, a Paróquia de Santa Maria Madalena, em União dos Palmares, com o apoio da
Arquidiocese de Maceió e o empenho dos padres canadenses Padre Emílio April e
Padre Donald Macgillivray, mobilizou-se para buscar uma solução para o problema
da falta de moradia.
Sensibilizados pelos clamores
das famílias que haviam perdido suas casas, os padres, juntamente com uma
equipe de leigos formada por Mariné Vieira, Tereza Sampaio, Cleoniza, Irmã
Lourdes e Teca, foram até a Secretaria de Estado da Agricultura. Na ocasião,
solicitaram ao secretário a liberação de um terreno pertencente ao Estado, com
o objetivo de construir casas populares para as famílias desabrigadas.
A iniciativa representou um
importante passo na busca por condições dignas de moradia e na reconstrução da
vida das pessoas atingidas pela enchente.
A construção das primeiras
casas em regime de mutirão
Após a liberação do terreno, a
Paróquia de Santa Maria Madalena encaminhou um projeto à Cáritas Brasileira,
que foi aprovado, possibilitando a liberação de recursos para a construção
inicial de 15 casas populares.
Os trabalhos foram organizados e coordenados por uma comissão, que reuniu as famílias beneficiadas para participar diretamente da construção de suas próprias moradias. Assim nasceu a experiência do trabalho em mutirão, na qual a união, a solidariedade e a colaboração de todos foram fundamentais para alcançar o objetivo comum.
Enquanto a comissão ficava
responsável pela compra dos materiais de construção, homens e mulheres
trabalhavam na fabricação dos tijolos do tipo bloco. Outros atuavam como
pedreiros e serventes, contribuindo com sua força de trabalho para erguer as
casas que se tornariam seus novos lares.
Mais do que construir paredes
e telhados, aquelas famílias estavam reconstruindo suas vidas, fortalecendo os
laços comunitários e recuperando a esperança de um futuro melhor.
Foi assim, por meio da
solidariedade, da fé e do trabalho compartilhado, que surgiu o bairro conhecido
como Mutirão, atualmente denominado bairro Sagrada Família, em União dos
Palmares, Alagoas.
Fonte de pesquisa: Professora
Mariné Vieira

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