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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

VERGONHA NA CARA

Por Candice Almeida



Abate, chateia, entristece e cansa… A cada eleição geral o saldo é debitado na conta do Nordeste, como se aqui estivessem as pessoas mais perversas de todo o país. Como é possível tanta insensibilidade, tanto ódio e tanta hipocrisia?

Não quero generalizar, claro. Mas é difícil manter-se inatingível diante de tanto veneno destilado direta ou indiretamente. Falo sim de todas as manifestações nas redes sociais, mas também falo de alagoanos que encontro e que acham graça em repetir “tem chovido tanto para não faltar capim em Alagoas”.

Ora, como esperar respeito de outros estados, se nem o próprio alagoano se respeita?

É verdade que ostentamos péssimos índices na educação, que muitos alagoanos são analfabetos e não foram ensinados a pensar na coletividade, e mesmo que tivessem sido não deixariam de pensar na própria barriga. Muitos alagoanos, em especial os que não foram educados adequadamente, não podem ser cobrados por suas escolhas erradas. Devemos cobrar daqueles que pensam que tiveram uma educação adequada, mas fazem suas escolhas pautadas em favores e benefícios pessoais, seja dele mesmo ou de algum conhecido.

Entendo que estando em Maceió muitos não compreendam a realidade do povo pobre que vive longe da capital e sua necessidade por tudo, desde água e comida, até saúde e educação, faltando muitas vezes até a própria dignidade. E por entender o sofrimento de muita gente, que a sociedade só lembra que existe quando faz suas escolhas pensando na própria fome, as “escolhas erradas”, é que jamais poderei conceber a generalização de chamar o alagoano de burro.

Não, ele não é burro e nem se alimenta de capim. Antes fosse, assim não venderia “seu valor” – o voto – nas eleições. Burros são os outros, os que têm boas opções, os que se candidatam, os que conseguem mandato, a população politicamente esclarecida, estes sim, estes assumem-se como asnos. Se fossem tão espertos cumpririam seu papel.

Os que têm boas opções não votariam em palhaços e subcelebridades para protestar contra o sistema que os rege, oportunizando a políticos corruptos conseguirem o “coeficiente eleitoral” necessário para serem eleitos; o político agiria com hombridade, respeito e dedicação, produziria leis que amparassem os ignorantes; a população esclarecida dedicar-se-ia a fiscalizar a atuação de seus representantes, pensando mais no coletivo e menos em si próprio.

Se cada um fizesse a sua parte, não haveria gente para ser chamada de burra!

Mas é muito conveniente por a culpa nos outros, no nordestino, no alagoano. Quando vamos parar de por a culpa nos outros e lutar para que todos sejam iguais, para que todos tenham suas necessidades básicas à saúde, à educação e ao trabalho atendidas, para que pensem por si, para que decidam sem o peso da fome e da miséria?

Neste dia, caro leitor, as escolhas de todos poderão ser julgadas com justiça e sem preconceito.

Ao brasileiro e alagoano preconceituoso, desejo vergonha na cara, para se respeitar e se fazer respeitado!!!

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